primeiro passo para ser feliz

Qual o primeiro passo para ser feliz?

Aristóteles, que viveu no quarto século antes de Cristo, disse: “Tudo o que o ser humano faz é mirando a felicidade. Nem sempre isso acontece”. 
 
No entanto, este é um questionamento que ainda inspira cuidados nos dias de hoje. Sentir-se feliz faz parte do nosso projeto de vida. Como tal, é uma das nossas emoções primárias, a força que nos motiva para continuarmos vivos. Mas, por que, então, existe tanta gente que ainda se sente infeliz?

Nossa sociedade é especialista em promover a felicidade. Desde que nascemos somos bombardeados por informações que nos advertem: “Para você passar de ano, você deve tirar boas notas”, “Olha o vestibular, só passa quem é bom, e passar no vestibular vai te garantir um bom estágio, e sua carreira profissional será uma crescente. Tendo um bom emprego, isso te dará um bom salário; com um bom salário, você pode adquirir um bom carro, ter uma moradia própria, assim você pode constituir uma família, se casando, lua de mel, e logo vêm os filhos, e com eles a escola dos filhos, boas notas”, tudo se repete. 

Tudo exatamente desse jeito viciado, os projetos ditados e engolidos por uma roda sem fim. Parece uma vida feita e programada somente em função de conquistar objetivos. Tudo bem, traçar metas e obter resultados faz parte da nossa vida. Mas faz parte, apenas, não é tudo o que a vida significa. Faz parte de um dos nossos “eus”, o “eu projetista”, que pensa na vida, é programado para olhar o passado e pensar no futuro. Mas também existe outro “eu”, o “eu experiencial”, que vive a experiência do momento. Então viver e pensar na vida são questões bem diferentes. Aqui não existe ordem de importância. O importante é saber o papel de cada um nas nossas vidas, viver cada momento presente e ser feliz.

Este tem sido um dos grandes desafios da sociedade moderna: criar condições para que as pessoas se sintam felizes. Uma parte do mercado, a mais oportunista, percebeu esta carência. Informado de que a pessoas não sabem lidar com as suas próprias dores, encontrou porções, fórmulas de felicidade, que espalham por todos os cantos, muitas delas vendendo ilusões, soluções mágicas que prometem fazer você se sentir feliz enquanto devora um livro de autoajuda recheado de fórmulas baratas que conduziriam à felicidade. Ou no momento em que participa de uma palestra, comandada por um pseudo guru que dispara gatilhos e frases de efeito. Ou, ainda, em um curso de transe, que o leva ao encontro da sua essência [Tem até o “Dia Feliz”, promovido por uma grande rede de fast food – você deve ter visto ou até vivenciado algumas experiências como estas]. 

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Há muito tempo trabalho com desenvolvimento humano. E este é um dos meus grandes desafios quando estou em sala de aula com os meus alunos formandos em Coaching. Além de capacitar os profissionais com os conceitos e técnicas para que atuem como Coaches, vejo a necessidade de ampliar a consciência destas pessoas sobre este tema. Normalmente elas vêm para os encontros de Coaching muito apoiadas no “Eu projetista”, com objetivos e metas focadas em “subir na vida”, algo que lembra em muito um combate. O desafio do Coach é fazer com que este cliente experimente a jornada, vivencie e explore cada momento, e que esteja com a presença plena, para que sinta o flow (fluir). 

Costumo comentar um estudo promovido por Jaak Panskepp, estudioso da neurociência afetiva. Ele lembra que “é a estrada que percorremos, e não o fato de chegarmos ao destino, que realmente nos faz feliz, pois a emoção que experimentamos quando buscamos por algo importante equivale a uma ‘felicidade a longo prazo’”. 

Ressalto que o mais importante é estar presente na jornada. É viver, aproveitar, saborear o que está acontecendo justamente enquanto acontece. A jornada é um dos processos mais ricos e contemplativos, pois quando estamos presentes, vivenciando cada momento, aguçamos nossos sentidos, ampliando a nossa percepção enquanto vivenciamos a experiência. É ela que nos traz o aprendizado, a possibilidade de nos ajustar. Veja como isso funciona no nosso sistema nervoso, através do nosso cérebro. A dopamina – substância química encontrada no cérebro, associada ao prazer – está ligada ao nosso instinto de busca, e quanto mais exploramos e buscamos caminhos para realizar nossos objetivos, mais o cérebro libera a dopamina, provocando um efeito de recompensa.

Felicidade é equilíbrio. É importante, sim, você olhar para o futuro e traçar objetivos. Olhar para o passado e ver as conquistas. Olhar para a vida, ver um significado, e sempre estar aqui, com a cabeça aqui também, saboreando o presente enquanto ele está acontecendo. Saber enfrentar os problemas, estar engajado com as próprias competências e junto de pessoas amigas, que façam crescer. Saber nutrir estas relações trás um grande significado.

Viver com significado é quando você sente que pertence a algo maior e mais importante do que você. Muita gente encontra isso na religião, na família, no trabalho, em ações voluntárias. Encontra grandes significados, pois exercita o estado de empatia, a troca a compaixão.

Ser feliz é algo simples. Só é preciso dar um passo de cada vez. É estar no aqui e agora – hic et nunc - e sentir o momento, contemplar o dia em sua plenitude, mesmo que esteja cinzento, porque isso é apenas um efeito da natureza. Dar uma paradinha para aquele cafezinho. Celebrar a conquista de um objetivo. Ter orgulho de si pela conquista. Tirar férias e desfrutá-la, porque se trata da recompensa justa pelo trabalho. É estar sempre em contato com o seu “Eu Maior”, com a divindade que habita em você, seja qual for o nome que você atribua a ela. Eu escolho uma vida com sentido.

por Edmar Oneda - fundador do IDHEO e facilitador da Formação em Coaching com PNL

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