Vivenciar a jornada faz a diferença no Coaching

Vivenciar a jornada faz a diferença no Coaching

Durante a minha jornada profissional, por volta do ano 2000, trabalhei em uma editora que publicava mensalmente uma revista voltada para temas ligados à vida e à carreira. Seu foco principal era engajar leitores na busca do autoconhecimento. Criava pautas cujo propósito era chamar a atenção dos leitores – esse era o grande desafio da redação. Nesta época, estes assuntos, ligados ao autoconhecimento, começavam a dar sinais de interesse. Porém, havia ainda certa resistência em relação ao tema. Os títulos que mais vendiam eram sobre temas voltados para o público feminino e masculino – moda, esportes e outros.  Lembro que há via duas pautas que atraiam mais a atenção dos leitores. Isso acontecia quando as chamadas de capa abordavam temas relacionados ao cérebro e seu funcionamento, e quando havia algum teste de conhecimento do tipo descubra se você é visual ou auditivo, racional ou emocional, dentre outros.

Percebo que ainda gostamos de saber mais sobre nós, isso desperta a nossa curiosidade. Tanto é que eu mesmo já fiz inúmeros testes, desses que vem em revistas ou por aplicativos – mapa astrológico, numerologia etc. De um jeito ou de outro, acredito que trata-se de algo positivo. Como disse, gostamos de ler ou ouvir sobre nós mesmos, principalmente quando a fonte das informações é segura.

Lembro-me também que, por meio da revista, ganhei um assesment, isto é, um teste de Perfil Comportamental, elaborado por uma das maiores empresas especializadas neste segmento. Uau!, como é revelador receber a devolutiva! Parece que eles te conhecem intimamente. E mais, você acaba reconhecendo algumas características pessoais, das quais nunca se deu conta. A devolutiva foi o assunto nas minhas rodas de conversa, seja lá com quem fosse. Eu afirmava que agora me conhecia, e isso me encheu de motivação. Minha autoestima se elevou à potência máxima, eu me sentia, enfim, preparado para a Vida.  Mas, sabe como é, o tempo passa, a correria do dia-a-dia, é um probleminha aqui, uma coisa aqui, outra ali, o tempo passou, e a motivação foi junto.

Foi também nesta revista, através de uma matéria, que tive acesso ao Coaching e à PNL. Incrível pensar que há 18 anos este tema começava a ganhar espaço. Tanto é que poucas pessoas sabiam o que era esse tal de Coaching e, mesmo com o passar do tempo, ainda hoje muitas pessoas ainda me perguntam “o que é coaching?”. E gostei tanto do significado e do conceito do coaching que logo quis me aprofundar e fui buscar um curso de formação em PNL e Coaching em 2003 – isso aconteceu em 2003. Lembro que a palavra de ordem era “ter a competência do Coaching será a regra para o mercado”, dizia Jack Welch, o poderoso e bem sucedido CEO da GE.

Antes da minha formação, quis passar por um processo de Coaching para ver se realmente ele funcionava. Lembro bem do meu primeiro encontro – sinto até uma pontinha de vergonha ao relatar a experiência. “Cheguei chegando”, o que eu queria, meu objetivo, tudo estava na ponta língua, só não havia me dado conta de que eu era o maior responsável pelo processo.

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O coach iniciou a conversa fazendo algumas perguntas, que eu respondia cheio de segurança. À medida que dava uma resposta, ele emendava com outra. Enquanto eu pensava nas respostas, comecei a sentir irritação. Isso aconteceu principalmente quando ele me disse que eu tinha a solução dos meus problemas, que tudo estava ai, dentro de mim, e que o processo, que levaria cerca de quatro meses, um encontro a cada 15 dias, faria com que eu me envolvesse com os meus objetivos. Seria um trabalho de aprendizado, e meu objetivo podia até ser alterado durante o caminho. Fiquei em choque, e disparei a falar, cheio de razão. “Olha eu vim aqui, estou pagando, eu quero que você me diga como e o que eu devo fazer para sair deste problema e alcançar o meu objetivo. Estou com o meu teste Comportamental, que fiz na maior empresa de assesment, eu sei quem eu sou, está tudo escrito aqui, mas esperar quatro meses é muito tempo, não sei se vou suportar, estou pagando um Coach para resolver os meus problemas e agora você vem com este discurso”. Minha fala quase não continha ponto final, no máximo, algumas vírgulas.

Este profissional, imbuído de toda sabedoria e em tom sereno e sério, respondeu: “Meu querido coachee, de fato é verdade, você está pagando, é direito seu exigir, como é também meu direito e dever como seu coach de te orientar que Coaching não é consultoria, muito menos aconselhamento. É um processo sério, com começo meio e fim. Além de fazer boas perguntas que fazem pensar e te levam para uma ação. É também um processo de grande aprendizagem, pois é você que vai vivenciar toda a experiência. Você será o protagonista desta jornada. Eu serei um coadjuvante que te acompanhará. Isso se faz necessário, é ecológico que se leve pelo menos quatro meses, pois um dos maiores desafios é a mudança do seu olhar para sua vida, para os seus objetivos e para o mundo. Você provavelmente terá de rever hábitos, e hábitos novos precisam de um tempo até que vire um novo hábito. Resignificar crenças não acontece em um estalo de dedos, você vai precisar vivenciar a nova crença até que ela faça parte de você. Por isso é um processo de desconstrução. Acredite, você tem todas as respostas, tem a solução e a força necessária, e saberá como usar no momento certo. Assim você aprenderá. Não existe fórmula mágica para a vida, é uma burrice fugir do processo. E quanto ao seu teste, que ótimo que você sabe quem você é, pelo jeito não está sabendo como usá-lo. De nada adianta ter todas essas informações se você não consegue colocar em prática, materializar essa energia presa que, se não exteriorizada, pode se transformar em raiva. Então, vamos usar a força da sua raiva para construir a sua nova história”. Foi desta forma que o meu primeiro processo de coaching aconteceu. E hoje, estar aqui escrevendo é o resultado deste processo que me ajudou a seguir nesta jornada durante estes últimos 15 anos.

Foi duro ouvir tudo isso, penso que estava precisando, estava viciado em só ouvir e não praticar.

No fundo, somos mais mimados do que imaginamos. Talvez estejamos pagando um preço alto demais pela nossa ignorância, achando que seremos mais espertos encontrando uma fórmula que fuja do processo de vivenciar a experiência. Algo como “se dá para fazer em cinco dias, por que eu vou fazer em quatro meses?!” É sempre assim, o mundo é dos espertos. Só que neste caso você perdeu, teve um esperto maior que você, que te seduziu pelo seu ego.

por Edmar Oneda - fundador do IDHEO e facilitador do curso de Formação em Coaching com PNL

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